segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Mentes vencedoras e mentes derrotadas


Quando não lutamos estamos nas mãos dos nossos adversários

Quando o povo hebreu saiu do Egito, houve dois acontecimentos muito parecidos: a passagem do Mar Vermelho (saída do Egito), e a passagem do Rio Jordão, na fronteira da Terra Prometida. 

O primeiro acontecimento foi para levantar o ânimo dos fugitivos escravos, o que chamamos hoje de autoestima. Com esta experiência eles se sentiram capazes de superar problemas invencíveis. Era a gasolina que necessitavam para atravessar as inclemências do deserto e poder vencer o número de obstáculos que ainda se apresentariam. 

O segundo acontecimento, a passagem do Rio Jordão, era para que os habitantes de Canaã constatassem que o povo hebreu era acompanhado por um Deus poderoso, fiel à aliança e que cumpriria a promessa de entregar-lhes a Terra Prometida. Os habitantes de Jericó perceberam que se tratava de um Deus poderoso, que caminhava ao lado dos hebreus e era capaz de intervir com uma força sobrenatural para cumprir as promessas. 

Josué enviou alguns espiões que exploraram e analisaram cuidadosamente tudo o que se referia aos moradores de Canaã. Os "repórteres" trouxeram duas versões. 

A versão pessimista: "São gigantes invencíveis. Suas muralhas chegam ao céu. Somos simples gafanhotos a seus pés". Sim, se tratava de um exército invencível, que tinha armas defensivas (as muralhas) e armas ofensivas (gigantes bem armados). 

A versão otimista: "A terra é bela, a mais bela de todas as terras. Vale a pena todo esforço". Mas o mais importante foi que desde antes de entrar em Canaã, Josué já havia imaginado as aspirações dos povos nômades, sedentos de território. Josué realiza então um gesto simbólico e profético: Antes da batalha, divide o território. "Vamos tomar esta terra hoje mesmo. Ela é nossa". Está seguro que vai ganhar a batalha. Quem não tem a certeza da vitória na mente, jamais a conseguirá no campo de batalha da vida.

Assim, quando os hebreus chegaram à fronteira da Terra Prometida, sua fama e façanhas já haviam penetrado as fronteiras de Canaã e haviam conquistado a mente de seus inimigos, pois começaram a ter medo. 

Os habitantes de Jericó tinham tudo para derrotar facilmente um exército que ainda estava à sombra da escravidão. Eles [os hebreus] eram nômades, sem armas, sem experiência ou poder militar. No entanto, os moradores de Jericó decidiram não lutar. Diz a Palavra que Jericó "estava trancada dentro de seus muros e barreiras". Eles olhavam uns para os outros e o medo crescia entre si. Já estavam derrotados, porque não queriam lutar.

A tática de Josué: dar 7 voltas ao redor da cidade para fazer crescer o temor de um ataque que não veio.... "De uma forma ou outra, vocês cairão em nossas mãos", disse ele. O medo cresceu tanto que decidiram não se defender. Já tinham renunciado atacar os hebreus. Agora, ruem e caem as muralhas defensivas de suas vidas. Eles foram, então, presas fáceis para os inimigos que eram bem menos fortes e capacitados. 

Por que perdeu Jericó? O problema deles foi não atacar e não se defender, pois se deram por vencidos antes da batalha.

Tiveram medo da fama que precedia os hebreus: Seu Deus era um Deus poderoso. Os hebreus conquistaram Jericó não porque suas paredes caíram por milagre, mas porque seus habitantes não queriam lutar, pois se deram por derrotados antes mesmo de entrar na batalha.

Por que ganharam os hebreus?

Eles tomaram posse antes de entrar no território. Eles estavam convencidos da vitória. Sua mente era uma mente vitoriosa. Eles tinham um Deus poderoso ao lado deles, que os fez passar o Mar Vermelho para dar-lhes autoconfiança.

Quando cruzamos os braços e não lutamos, estamos nas mãos dos nossos adversários. Quando decidimos atravessar o "Jordão" não podemos voltar atrás, então não há outra estrada a não ser a luta e a vitória até o fim. Quando conhecemos os pontos fortes e fracos do inimigo ou a empreitada queremos ganhar, estamos mais bem preparados para enfrentar a batalha. 

Quando num ato real, tomamos posse do desafio que está diante de nós, então somos capazes de superá-lo. Mas acima de tudo, na vitória ou na derrota existe um fato definitivo: o Deus que nos libertou da escravidão, conduzindo-nos através do deserto, nos prometeu uma terra.

Quando fizemos a experiência da passagem do "Mar Vermelho", a passagem da escravidão, perdemos o medo de outros problemas. Quando escolhemos um largo caminho, já não podemos voltar atrás. Só fica aberta a possibilidade da vitória. 

Quando sabemos que tudo depende de uma promessa feita por Deus, as nossas atitudes mudam, porque temos confiança e esperança. Sabemos que alcançaremos a vitória porque Deus prometeu e Ele é fiel. 

José H Prado Flores
Pregador internacional, Fundador e Diretor Internacional
das Escolas de Evangelização Santo André

sábado, 5 de novembro de 2011

É preciso pertencer mais a Cristo, salienta Bento XVI

O Papa Bento XVI celebrou nesta sexta-feira as Vésperas com os estudantes da Universidade Pontifícia de Roma, na Basílica Vaticana
“É importante para todos, de fato, aprender sempre mais a 'permanecer' com o Senhor, cotidianamente, no encontro pessoal com Ele para deixar-se fascinar por seu amor e ser anunciadores do Seu Evangelho”, destacou o Papa Bento XVI, na noite desta sexta-feira, 4, ao celebrar as Vésperas com os estudantes da Universidade Pontifícia de Roma, pelo início do Ano Acadêmico.

Durante sua homilia, na Basília Vaticana, o Santo Padre salientou que é importante buscar seguir na vida com generosidade, não com um próprio projeto, mas aquele que Deus tem para cada um, conformando a própria vontade àquela de Deus. Ele reforçou ainda a necessidade de um bom preparo por meio de sérios estudos para servir o Povo de Deus.



Ao falar sobre a vocação sacerdotal, o Papa recordou que desde os primórdios da Igreja, foi evidenciado a importância dos sacerdotes como guias das comunidades, anunciadores da Palavra de Deus por meio da pregação e celebrantes do Sacrifício de Cristo, a Eucaristia. 

“Pastorar o rebanho de Cristo é um vocação e um dever comum e os torna particularmente ligados entre eles, porque estão unidos a Cristo com um vínculo especial”, destacou o Papa.

O modelo a ser seguido pelos sacerdotes é o próprio Cristo, o Bom Pastor. São Tomás de Aquino disse que “embora os líderes da Igreja sejam todos pastores, todavia, disse Ele de ser, de modo singular: 'Eu sou o Bom Pastor', para introduzir com delicadeza a virtude da caridade”. Assim, para São Tomás de Aquino não se pode ser de fato bom pastor se não tornamos uma coisa só com Cristo e seus membros mediante a caridade, pois a a caridade é o primeiro dever do bom pastor.


Vocação ao Sacerdócio


“A vocação apostólica vive graças ao relacionamento pessoal com Cristo, alimentada pela oração assídua e animada pela paixão em comunicar a mensagem recebida e a mesma esperança de fé dos Apóstolos”, salientou o Pontífice aos estudantes romanos.

Segundo o Papa, existem algumas condições para que haja uma harmonia crescente com Cristo na vida do sacerdote, entres estas, ele destacou três: a aspiração para colaborar com Jesus pela difusão do Reino de Deus, a gratuidade do empenho pastoral e a atitude do serviço.

“Antes de tudo, no chamado ao ministério sacerdotal existe o encontro com Jesus, que nos fascina, conquista por Suas palavras, por Seus gestos, por Sua pessoa. É distinguir, em meio a tantas vozes, a Sua voz, respondendo como Pedro “Tu tens as palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (Gv 6,68-69)”, destacou Bento XVI.

Para o Santo Padre, a vocação dos sacerdotes tem sua raiz nesta ação que Deus Pai realizada em Cristo, por meio do Espírito Santo. O ministro do Evangelho, então, é aquele que se deixa agarrar por Cristo, que sabe permanecer com Ele, que entra em sintonia, em íntima amizade, com Ele, a fim que tudo se cumpra segundo a Sua vontade de amor, com grande liberdade interior e com profunda alegria de coração.

“Em segundo lugar, são chamados a ser administradores dos Mistério de Deus 'não para o interesse vergonhoso, mas com um espírito generoso', disse São Pedro. Não é preciso esquecer jamais que se entra no sacerdócio por meio do Sacramento, a Ordenação, e isso significa, justamente, que se abre à ação de Deus escolhendo cotidianamente dar a si mesmo para Ele e para os irmãos, segundo o dito evangélico: 'Recebestes de graça, de graça daí!'(Mt 10,8), reforçou o Papa.

Bento XVI ressalta ainda que o chamado do Senhor ao ministério não é fruto de méritos particulares, mas é um dom a se acolher e ao qual se deve corresponder dedicando-se de modo generoso e desinteressado, segunda a vontade de Deus.

“Jamais devemos esquecer – como sacerdotes – que a única ascensão legítima em direção ao ministério pastoral não é aquela do sucesso, mas da Cruz”, reforçou.

Os sacerdotes são, de fato, como salientou o Pontífice, modelos para suas respectivas comunidades. Eles são também administradores dos meios da salvação, dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Penitência, mas não são por vontade própria, mas para serem humildes servidores para o bem do Povo de Deus.

“É uma vida, então, profundamente marcada por este serviço: cuidado atento ao rebanho, celebração fiel da liturgia e pronto serviço a todos os irmãos, especialmente aos mais pobres e necessitados. No viver esta 'caridade pastoral' sobre o modelo de Cristo e com Cristo, em qualquer lugar que o Senhor chama, cada sacerdote a realiza plenamente si mesmo e a própria vocação”, salientou o Santo Padre.

Homilia do Papa aos estudantes da Universidade de Roma


HOMILIA
Celebração das Vésperas com os estudantes da
Universidade Pontifícias de Roma, pelo início do Ano Acadêmico
Basílica Vaticana
Sexta-feira, 4 de novembro de 2011


Veneráveis irmãos,
Queridos irmãos e irmãs!


É uma alegria para mim celebrar estas Vésperas convosco, que formam a grande comunidade das Universidades Pontifícias Romanas. Saúdo o Cardeal Zenon Grocholewski e o agradeço pelas palavras gentis que a mim direcionou e, sobretudo, pelo serviço que desenvolve como Prefeito da Congregação para a Educação Católica, junto ao Secretário e aos colaboradores. A esses, e a todos os Reitores, professores e estudantes dirijo a minha cordial saudação.



Setenta anos atrás, o Venerável Pio XII, com o Motu proprio «Cum Nobis» [cfr AAS 33 (1941), 479-481] instituiu a Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais, com o dever de promover as vocações presbiterais, difundir o conhecimento da dignidade e da necessidades do ministério ordenado e encorajar a oração dos fiéis para obter do Senhor numerosos sacerdotes.

Em ocasião de tal aniversário, esta noite gostaria de lhes propor algumas reflexões justamente sobre o ministério sacerdotal. O Motu proprio «Cum Nobis» representa o início de um vasto movimento de iniciativas de oração e de atividade pastoral. Foi uma resposta clara e generosa ao apelo do Senhor: A messe é grande, mas os operários são poucos! Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe” (Mt 9,37).

Depois do início da Pontifícia Obra, outras se desenvolveram em outros lugares. Entre estas, gostaria de recordar aSerra International, fundada por alguns empreendedores dos Estados Unidos e intitulada a Padre Junípero Serra, frade franciscano espanhol, com o dever de encorajar e sustentar as vocações ao sacerdócio e assistir economicamente os seminaristas. Aos membros da Serra, que recordam o 60º aniversário de reconhecimento da Santa Sé, dirijo um cordial pensamento.

A Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais foi instituída no reconhecimento litúrgico de São Carlos Borromeu, venerado protetor dos seminários. A ele peçamos também nesta celebração de interceder para o redespertar, pela boa formação e pelo crescimento das vocações ao presbiterado.

Também a Palavra de Deus, que escutamos na Primeira Carta de Pedro, convida a meditar sobre a missão dos Pastores na comunidade cristã.

Desde os primórdios da Igreja, foi evidente o relevo concedido aos guias das primeiras comunidades, estabelecidas pelos Apóstolos para anunciar a Palavra de Deus por meio da pregação e da celebração do Sacrifício de Cristo, a Eucaristia.
Pedro vos dirige um apaixonado encorajamento: “Aos anciãos entre vós, exorto eu, ancião como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, participante da glória que está para se revelar” (1 Pt 5,1).

São Pedro faz tal apelo em razão de sua relação pessoal com Cristo, culminada nos dramáticos momentos da paixão e na esperança do encontro com Ele ressuscitado dos mortos. Pedro, ainda, destaca a recíproca solidariedade dos pastores no ministério, salienta o seu e pertencimento deles à única ordem apostólica: diz, de fato, ser “ancião como eles”, o termo em grego é sumpresbyteros.

Pastorar o rebanho de Cristo é um vocação e um dever comum e os torna particularmente ligados entre eles, porque estão unidos a Cristo com um vínculo especial. De fato, o Senhor Jesus se comparou várias vezes Si mesmo a um pastor cuidadoso, atento a cada um de suas ovelhas. Ele disse: “Eu sou o Bom Pastor”( Jo10,11).

São Tomás de Aquino comenta: “Embora os líderes da Igreja sejam todos pastores, todavia, disse Ele de ser, de modo singular: 'Eu sou o Bom Pastor', para introduzir com delicadeza a virtude da caridade. Não se pode ser de fato bom pastor se não tornamos uma coisa só com Cristo e seus membros mediante a caridade. A caridade é o primeiro dever do bom pastor” - assim, São Tomás de Aquino no seu comentário sobre o Evangelho de São João ( Exposição sobre João, cap. 10, lect. 3).

É grande a visão que o apóstolo Pedro tem do chamado ao ministério de guia da comunidade, projetado em continuidade com a eleição singular recebido pelos Doze. A vocação apostólica vive graças ao relacionamento pessoal com Cristo, alimentada pela oração assídua e animada pela paixão em comunicar a mensagem recebida e a mesma esperança de fé dos Apóstolos.

Jesus chamou os Doze para estarem com Ele e para enviá-los afim de pregar a sua mensagem (cfr Mc 3,14).Existem algumas condições para que haja uma harmonia crescente com Cristo na vida do sacerdote. Gostaria de destacar três que emergem da Leitura que escutamos: a aspiração para colaborar com Jesus pela difusão do Reino de Deus, a gratuidade do empenho pastoral e a atitude do serviço.

Antes de tudo, no chamado ao ministério sacerdotal existe o encontro com Jesus, fascinados, conquistados por Suas palavras, por Seus gestos, por Sua pessoa. É distinguir, em meio a tantas vozes, a Sua voz, respondendo como Pedro “Tu tens as palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (Gv 6,68-69).

É como ser atingido pela irradiação do Bem e do Amor que provém de Dele, sentir-se envolvidos ao ponto de desejar permanecer com Ele como os dois discípulos de Emaús - “Fica conosco, porque já é tarde, e o dia já declina”(Lc 24,29) e de levar ao mundo o anúncio do Evangelho.

Deus Pau enviou o Filho eterno ao mundo para realizar o seu plano de salvação. Cristo Jesus constituiu a Igreja para que se estendesse no tempo os efeitos benéficos da redenção. A vocação dos sacerdotes tem sua raiz nesta ação do Pai realizada em Cristo, por meio do Espírito Santo. O ministro do Evangelho então é aquele que se deixa agarrar por Cristo, que sabe permanecer com Ele, que entra em sintonia, em íntima amizade, com Ele, a fim que tudo se cumpra “como agrada a Deus” (1 Pt 5,2), segundo a Sua vontade de amor, com grande liberdade interior e com profunda alegria de coração.

Em segundo lugar, são chamados a ser administradores dos Mistério de Deus “não para o interesse vergonhoso, mas com um espírito generoso”, disse São Pedro na Leitura destas Vésperas (ibidem). Não é preciso esquecer jamais que se entra no sacerdócio por meio do Sacramento, a Ordenação, e isso significa, justamente, que se abre à ação de Deus escolhendo cotidianamente dar a si mesmo para Ele e para os irmãos, segundo o dito evangélico: “Recebestes de graça, de graça daí!”(Mt 10,8).

O chamado do Senhor ao ministério não é fruto de méritos particulares, mas é um dom a se acolher e ao qual corresponder dedicando-se não a um projeto pessoal, mas aquele de Deus, um modo generoso e desinteressado, para que Ele disponha de nós segunda a Sua vontade, também se esta pudesse não corresponder ao nossos desejos de auto-realização.

Amar junto Àquele que nos amou por primeiro e deu tudo de si mesmo: isso é ser discípulos, deixando-se envolver no seu ato de amor pleno e total ao Pai e a cada homem consumado no Calvário.

Jamais devemos esquecer – como sacerdotes – que a única ascensão legítima em direção ao ministério pastoral não é aquela do sucesso, mas da Cruz.

Nesta lógica, ser sacerdotes quer dizer ser servos também com o exemplo de vida. “Fazer-se como modelos do rebanho” é o convite do Apóstolo Pedro (1 Pt 5,3). Os presbíteros são administradores dos meios da salvação, dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Penitência, não os são por sua vontade, mas para serem humildes servidores para o bem do Povo de Deus.

É uma vida, então, profundamente marcada por este serviço: cuidado atento ao rebanho, celebração fiel da liturgia e pronto serviço a todos os irmãos, especialmente aos mais pobres e necessitados. No viver esta “caridade pastoral” sobre o modelo de Cristo e com Cristo, em qualquer lugar o Senhor chama, cada sacerdote a realizar plenamente si mesmo e a própria vocação.

Queridos irmãos e irmãos, ofereci qualquer reflexão sobre o ministério sacerdotal. Mas também as consagradas e leigas, penso em particular nas inúmeras religiosas e leigas que estudam nas Universidades Eclesiásticas de Roma, bem como aqueles que prestam seu serviço como docentes ou como funcionários destas entidades, poderão encontrar elementos úteis para viver mais intensamente o período que transcorre na cidade eterna.

É importante para todos, de fato, aprender sempre mais a “permanecer” com o Senhor, cotidianamente, no encontro pessoal com Ele para deixar-se fascinar por seu amor e ser anunciadores do Seu Evangelho; é importante buscar seguir na vida, com generosidade, não com um próprio projeto, mas aquele que Deus tem para cada um, conformando a própria vontade àquela do Senhor; é importante preparar-se, também por meio de um estudo sério e empenhado, a servir o Povo de Deus nos deveres que lhes serão confiados.

Queridos amigos, vivam bem, em íntima comunhão com o Senhor, este tempo de formação: é um dom precioso que Deus vos oferece, especialmente aqui em Roma onde se respira, de modo singular, a catolicidade da Igreja. Que São Carlos Borromeu obtenha a graça da fidelidade a todos aqueles que frequentam as Faculdade Eclesiásticas romanas. A vós todos, por intercessão da Virgem Maria, Sedes Sapientiae, que o Senhor conceda um ano acadêmico bem sucedido. Amém!


Não se brinca mais como antigamente...



Lembram quando a gente era criança e brincava na rua? Tenho certeza de que quem tem mais que trinta anos já fez isso. No final da tarde a gente chegava da escola e reunia aquela meninada para brincar.

Era amarelinha, cabra cega, queimada, esconde-esconde, polícia e ladrão, pé na lata... A gente brincava de roda e, às vezes, até os meninos participavam! Como era bom. Esperávamos escurecer e a mãe chamar para então, a gente entrar.

Hoje, as crianças têm outras diversões: TV, videogame, computador... São tempos modernos! Não dá mais para sair e brincar na rua. Hoje alguns adolescentes e até crianças, atravessam a noite junto ao computador. Claro que não dá, no mundo de hoje, para afastar as crianças da tecnologia. Mas, será que não há mais espaço para se brincar daquelas coisas gostosas que faziam com que a gente não quisesse voltar pra casa?

Penso no quanto as brincadeiras de infância estimulam a imaginação e a inteligência das crianças, sem falar no desenvolvimento social. A gente aprende a ter amigos. Mas amigos mesmo, daqueles que compartilham segredos e aventuras e não que só conversam com a gente pela internet.

Ah... O passa-anel, o coelhinho sai da toca, o fogo-foguinho e o pular cachola, então? Simplesmente maravilhoso. Lembro com muita saudade da minha infância. Não precisávamos tanto de bens materiais, brinquedos eletrônicos... Nada era tão complicado. As crianças não tinham depressão! A gente dormia às nove horas da noite porque estava cansado tanto de brincar.

Foi pensando nisso que comecei a brincar com as crianças na catequese. Era meu primeiro ano como catequista. E eu ainda não sabia bem como ocupar aquela uma hora e meia de encontro. Sempre sobravam quinze ou vinte minutos no final do encontro. Certa vez durante um encontro fizemos uma dinâmica que consistia em vendar os olhos de uma criança e pedir para que outra fosse seu guia, relembrando a confiança de Abraão em Deus. Começamos a fazer a dinâmica na sala, nos corredores, na secretaria e as crianças também se divertiam com aquilo. Pensei: "porque não brincarmos de cabra-cega?" Fomos para o pátio da igreja e as crianças se divertiram muito naqueles últimos vinte minutos.

A partir de então, todo encontro, sempre reservava uns minutos para as brincadeiras: cabra-cega, polícia e ladrão, pega-pega... Nos encontros, alguns meninos mais agitados, já começavam a me perguntar quando íamos sair para brincar a partir da primeira meia hora do encontro! Aí as brincadeiras passaram a fazer parte da nossa rotina, sempre como um prêmio pela atenção e pelo bom comportamento durante o encontro. Também sempre procurei adaptar as brincadeiras à mensagem que eu queria transmitir no encontro como: solidariedade, amizade, companheirismo, perseverança, fé.

Quando falamos sobre a páscoa judaica, por exemplo, nós fizemos um piquenique embaixo de uma árvore no pátio. A alimentação era como da época: ervas amargas, pão ázimo, cordeiro, vinho (suco de uva). Contei a história e repetimos o que os hebreus fizeram. Conversamos sobre as dificuldades que eles passaram e como nossa vida hoje é boa se comparada à daquelas pessoas.

Algumas vezes também brincávamos, só por brincar ou fazíamos encontros ao ar livre, sentados na grama. Percebi o quanto isso foi bom para as crianças, o quanto nos "socializamos" mais, o quanto elas se tornaram mais unidas e mais amigas. A catequese deixou de ser aquela "aula" chata e passamos a falar de Jesus ali, no meio das nossas conversas e brincadeiras. Os momentos sérios, de oração e leitura do evangelho, passaram a ser mais valorizados, pois sempre tirávamos uma lição para o nosso dia a dia.

É bom proporcionar esses momentos lúdicos às crianças, pois a maioria delas vive fechada em casa ou em um apartamento e não sabe realmente brincar. Com isso elas se tornam adultos precoces: preocupados com coisas e problemas que não são delas. Pressionados pela realidade da falta de tempo e atenção dos pais elas buscam no mundo virtual, que pode ser perigoso, aquilo que poderiam estar vivenciando no seu dia a dia: brincar e ser criança.
Ângela Rocha

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Morte de Cristo é fonte de vida, explica o Papa

O Papa Bento XVI presidiu a Celebração Eucarística em memória aos Cardeais e Bispos falecidos na Basílica de São Pedro
Assim como os apóstolos não compreendiam aquilo que aconteceria com Jesus em Jerusalém (Mc 9:32), “nós também, diante da morte, não podemos não provar os sentimentos e os pensamentos ditados em nossa condição humana”, salientou o Papa em sua homilia na Celebração Eucarística, nesta quinta-feira, dia 3 de novembro, em memória aos Cardeais e Bispos falecidos no decorrer no ano passado. 

Está além da compreensão humana, disse o Santo Padre, este Deus que está tão próximo, que não para mesmo diante do abismo da morte.

“Cristo assumiu até o fim a nossa carne mortal, para que essa seja investida da gloriosa potência de Deus, do vento do Espírito Santo vivificante, que a transforma e a regenera”, salientou na Missa celebrada no  Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro. 



A morte de Cristo é a fonte de vida, explica o Papa, porque nela, Deus revela todo seu amor, como numa imensa cascata.

“O abismo da morte é rompido por um outro abismo, ainda maior, que é aquele do amor de deus, assim que a morte não tem mais nenhum poder sob Jesus Cristo (cfr Rm 8,9), nem sobre aquele que, pela fé e pelo batismo, estão associados a Ele: 'Se já morremos com Cristo – disse São Paulo - cremos que também com ele viveremos'(Rm 8,8)”, destacou o Papa.

O Pontífice salientou ainda que a intervenção de Deus no drama da história humana não obedece a nenhum ciclo natural, mas somente a sua graça e a sua fidelidade.

“A vida nova e eterna é fruto da árvore da Cruz, uma árvore que refloresce e frutifica pela luz e pela força que provém do sol de Deus”, disse o Santo Padre.

Sem a Cruz de Cristo, esclarece ainda o Papa, toda energia da natureza permanece impotente diante da força negativa do pecado. “Era necessário uma força benéfica maior que aquela que impulsiona o ciclo da natureza, um Bem maior que aquele mesmo da criação: Um Amor que provém do próprio 'coração' de Deus e que, enquanto revela o sentido final do criado, o renova e o orienta para sua meta original e final”.

“Graças a Cristo, graças a obra realizada Nela pela Santíssima Trindade, as imagens retratadas na natureza não são mais somente simbólicas, mitos ilusórios, mas nos falam de uma realidade”, concluiu Bento XVI. 



Fonte: Canção Nova Noticias

Homilia do Papa na Missa pelos Cardeais e Bispos falecidos


HOMILIA
Missa pelos Cardeais e Bispos falecidos
Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 3 de novembro de 2011


Venerados irmãos,
queridos irmãos e irmãs!


No dia da Comemoração Liturgia de todos os fiéis falecidos, nos nos reunimos em torno ao altar do Senhor para oferecer o seu sacrifício em memória aos Cardeais e Bispos que, no curso do último ano, concluíram suas peregrinações terrenas. Com grande afeto recordamos os veneráveis membros do Colégio Cardinalício que nos deixaram: Urbano Navarrete, S.I., Michele Giordano, Varkey Vithayathil, C.SS.R., Giovanni Saldarini, Agustín García-Gasco Vicente, Georg Maximilian Sterzinsky, Kazimierz Świątek, Virgilio Noè, Aloysius Matthew Ambrozic, Andrzej Maria Deskur.

Junto a esses apresentamos ao trono do Altíssimo as almas dos amados irmãos no Episcopado. Por todos e por cada um elevamos a nossa oração, animados pela fé na vida eterna e no mistério da comunhão dos santos. Uma fé plena de esperança, iluminada também pela Palavra de Deus que escutamos.

A passagem do Livro de Oséias nos faz pensar imediatamente sobre a ressurreição de Jesus, sobre o mistério de sua morte e o redespertar da vida imortal. Esta passagem de Oséias – a primeira metade do capítulo VI – estava profundamente impressa no coração e na mente de Jesus. Ele, de fato, nos Evangelhos, retoma mais de um vez o versículo 6: “quero o amor e não o sacrifício, / o conhecimento de Deus mais que holocaustos”. Em vez, no versículo 2, Jesus foi ao encontro da paixão, com decisão pegou a via da cruz; Ele falava abertamente aos seus discípulos sobre aquilo que deveria acontecer em Jerusalém, o oráculo do profeta Oséias ressoava sob essas mesmas palavras: “O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e, morto ele, ressuscitará ao terceiro dia” (Mc, 9:31)

O evangelista diz que os discípulos “não entendiam esta palavra, e receavam interrogá-lo”(Mc 9:32). Nós também,diante da morte, não podemos não provar os sentimentos e os pensamentos ditados em nossa condição humana. Ele sempre nos surpreende e vai além de nós um Deus que está tão perto de nós, que não para mesmo diante do abismo da morte, que na verdade passa, permanecendo por dois dias no sepulcro. 

Mas justamente aqui atua o mistério do “terceiro dia”. Cristo assumo até o fim a nossa carne mortal, para que essa seja investida da gloriosa potência de Deus, do vento do Espírito Santo vivificante, que a transforma e a regenera. E o batismo da paixão (cfr Lc 12,50), que Jesus recebeu de nós e do qual escreveu São Paulo na Carta aos Romanos. A expressão que o Apóstolo utiliza - “batizados na sua morte” (Rm 6,3) – nunca cessa de nos surpreender, tal é a concisão com que resume o mistério dramático.

A morte de Cristo é a fonte de vida, porque nela, Deus revela todo seu amor, como numa imensa cascata, que faz pensar na imagem contida no Salmo 41: Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.  (v. 8). O abismo da morte é rompido por um outro abismo, ainda maior, que é aquele do amor de deus, assim que a morte não tem mais nenhum poder sob Jesus Cristo (cfr Rm 8,9), nem sobre aquele que, pela fé e pelo batismo, estão associados a Ele: “Se já morremos com Cristo – disse São Paulo - cremos que também com ele viveremos” (Rm 8,8). Este “viver com Jesus” é o cumprimento da esperança profetizada por Oséias “...e viveremos diante dele (Os 6:2). Antes que essa fosse reduzida a uma ilusão, a um símbolo derivado do ritmo das estações:  “como chuva serôdia que rega a terra (Os 6,3).

No tempo do profeta Oséias, a fé dos Israelenses era ameaçada pela contaminação com as religiões naturalistas da terra de Canaã, mas esta fé não é capaz de salvar ninguém da morte. Em vez, a intercessão de Deus no drama da sua história humana não obedece a nenhum ciclo natural, abedece somente a sua graça e a sua fidelidade. A vida nova e eterna é fruto da árvore da Cruz, uma árvore que reflorece e frutifica pela luz e pela força que provém do sol de Deus. 

Sem a Cruz de Cristo, toda energia da natureza permanece impotente diante da força negativa do pecado. Era necessário uma força benéfica maior que aquela que impulsiona o ciclo da natureza, um Bem maior que aquele mesmo da criação: Um Amor que provém do próprio “coração” de Deus e que, enquanto revela o sentido final do criado, o renova e o orienta para sua meta original e final.

Tudo isso vêm desses “três duas”, quando o “grão de trigo” cai sobre a terra, permanece ali pelo tempo necessário para encher a medida de justiça e misericórdia de Deus , e finalmente produz muitos frutos, não ficando só, mas como primaz de de muitos irmãos (cfr Gv 12,24; Rm 8,29).

Agora sim, graças a Cristo, graças a obra realizada Nele pela Santíssima Trindade, as imagens retratadas na natureza não são mais somente simbólicas, mitos ilusórios, mas nos falam de uma realidade. 

No fundamento da esperança existe a vontade do Pai e do Filho, que escutamos no Evangelho desta Liturgia: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo (Jo 17:24). E entre eles, a quem o Pai deu a Jesus, estão também os veneráveis irmãos pelos quais oferecemos esta Eucaristia: esses “conheceram Deus por meio de Jesus, conheceram seu nome e a vida no Céu, na eternidade. Rendemos graças a Deus por este dom inestimável e, pela interseção de Maria Santíssima, rezemos para que este mistério de comunhão, que preencheu toda a existência deles, se cumpra plenamente em cada um deles.



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Quem vê esperança na morte, vive uma vida de esperança",diz Papa

Papa faz catequese sobre dia de Finados, na Sala Paulo VI, no Vaticano

O Papa Bento XVI dedicou a catequese desta quarta-feira, dia 02 de novembro, ao dia de finados, oferecendo a todos os fiéis uma explicação sobre o significado deste dia e sobre a esperança que deve brotar no coração dos cristãos diante da morte.

"Caros amigos, a solenidade de todos os santos e a comemoração de todos os fiéis defuntos nos dizem que somente quem pode reconhecer uma grande esperança na morte, pode tamném viver uma vida a partir da esperança", afirmou. 

O Santo Padre falou sobre a visita aos cemitérios que caracteriza a comemoração dos fiéis defuntos, destacando que este gesto deve levar os fiéis a traçarem um caminho de renovada esperança na vida eterna.
"A estrada da morte, na realidade, é uma vida de esperança e, percorrer os nossos cemitérios, como também ler aquilo que está escrito sobre as tumbas, é cumprir um caminho marcado pela esperança na eternidade", destacou

O papa também abordou questões relativas ao medo da morte e sobre os riscos que provém do desejo de procurar respostas diante da vida após a morte.

"Hoje o mundo se tornou, ao menos aparentemente muito mais racional, ou melhor, se difundiu a tendência de pensar que todas as realidades devem ser afrontadas com os critérios da ciência experimental (...) Deste modo, nem se dá conta que deste modo pode-se cair em formas de espiritismo, na tentativa de contato com o mundo além da morte", exortou.

Bento XVI diante dos túmulos dos Papas 

Às 18h no horário de Roma (15h no horário de Brasília), Bento XVI se dirigirá à cripta dos papas, que fica localizada no subsolo da Basílica Vaticana, onde fará um breve momento de oração por todos os defuntos diantes dos túmulos dos vários papas que estão enterrados no local. 


Catequese de Bento XVI - Dia de finados 02/11/2011


CATEQUESE
Sala Paulo VIVaticano
Quarta-feira, 02 de novembro de 2011
Dia dos fiéis defuntos 


Caros irmãos e irmãs!

Depois de ter celebrado a solenidade de todos os santos, a Igreja nos convida hoje a comemorar todos os fiéis defuntos, a voltar o nosso olhar a tantos rostos que nos precederam e que concluiram o caminho terreno. Na audiência deste dia, então, gostaria de propor-vos alguns simples pensamentos sobre a realidade da morte, que para nós cristãos é iluminada pela ressurreição de Cristo e para renovar a nossa fé na vida eterna.

Como eu já dizia ontem no Angelus, nestes dias, nos dirigimos ao cemitério para rezar pelas pessoas caras que nos deixaram, as  visitamos para exprimir a elas, mais uma vez, o nosso afeto, para senti-las ainda próximas, recordando também, deste modo, uma parte do Credo: na comunhão dos santos existe uma estreita ligação entre nós que caminhamos ainda nesta terra e tantos irmãos e irmãs que já atingiram a eternidade.

Desde sempre o homem se preocupou dos seus mortos e procurou dar-lhes uma espécie de segunda vida através da atenção, do cuidado e do afeto. Em um certo modo existe um desejo de conservar o que deixaram como experiencia de vida e, paradoxalmente, como esses viveram, o que amaram, o que tiveram, o que esperaram e que coisa detestaram, algo que descobrimos olhando as tumbas, diante das quais se multiplicam as recordações, que são quase um espelho do mundo deles.

Por que é assim? Porque, apesar da morte ser um tema quase proibido na nossa sociedade, e exista a tentativa contínua de tirar da nossa mente nem que seja somente o pensamento da morte, essa está relacionada com cada um de nós, relacionada com o homem de cada tempo e de cada espaço. E diante deste mistério, todos, também inconscientemente, procuramos algo que nos convide a esperar, um sinal que nos dê consolação, que nos abra algum horizonte, que nos ofereça ainda um futuro. A estrada da morte, na realidade, é uma vida de esperança e, percorrer os nossos cemitérios, como também ler aquilo que está escrito sobre as tumbas é cumprir um caminho marcado pela esperança da eternidade.

Mas nos perguntamos: por que temos tanto medo diante da morte? Por que a humanidade, em grande parte, nunca se mostrou em acreditar que além da morte não existe simplesmente o nada? Diria que as respostas são múltiplas: temos medo diante da morte porque temos medo do nada, deste medo de partir em direção a algo que não conhecemos, que nos é desconhecido. E então existe em nós um sentido de rejeição porque não podemos aceitar que tudo aquilo de belo e de grande que foi realizado durante uma existencia inteira, venha de repente apagado, caia no abismo do nada. Sobretudo, nós sentimos que o amor chama e pede eternidade e não é possível aceitar que isto venha destruído pela morte em um só momento.

Ainda, temos medo diante da morte porque, quando nos encontramos rumo ao fim da existência, existe a percepção que exista um juízo sobre as nossas ações, sobre como conduzimos a nossa vida, sobretudo sobre este pontos de sombra, que, com habilidade, sabemos remover e tentamos remover da nossa consciência. Diria que exatamente a questão do juízo é geralmente subtendida no cuidado do homem de todos os tempos pelos defuntos, na atenção em relação as pessoas que foram significativas para ele e que não estão mais ao lado no caminho da vida terrena. Em um certo sentido, os gestos de afeto, de amor que circundam o defunto, são um modo para protegê-lo na convicção que esses não estejam sem afeto no juízo. Isto podemos colher na maior parte das culturas que caracterizam a história do homem.

Hoje o mundo se tornou, ao menos aparentemente, muito mais racional, ou melhor, se difundiu a tendência de pensar que todas as realidades devam ser afrontadas com os critérios da ciencia experimental, e que à grande questão da morte se deva responder não tanto com a fé, mas partindo dos conhecimentos experimentais, empíricos. Deste modo, nem se dá conta que deste modo pode-se cair em formas de espiritismo, na tentativa de ter qualquer contato com o mundo além da morte, quase imaginando que exista uma realidade que, no fim, seria uma copia da presente.

Caros amigos, a solenidade de todos os santos e a comemoração de todos os fiéis defuntos nos dizem que somente quem pode reconhecer uma grande esperança na morte, pode também viver uma vida a partir da esperança. Se nós reduzimos o homem exclusivamente à sua dimensão horizontal, a isto que se pode perceber empiricamente, a mesma vida perde o seu sentido profundo. O homem tem necessidade de eternidade e toda outra esperança para ele é muito breve, muito limitada. O homem é explicável somente se existe um amor que supere todo isolamento, tamném aquele da morte, em uma totalidade que transcenda também o espaço e o tempoO homem é explicável, encontra seu sentido mais profundo, somente se existe Deus. E nós sabemos que Deus saiu da sua distancia e se fez próximo, entrou na nossa vida e nos diz: "Eu sou a ressurreição e a vida, quem cre em mim, também se morrer viverá, aquele que vive e crê em mim não morrerá eternamente.

Pensemos um momento na cena do Calvário e reescutemos as palavras que Jesus, do alto da Cruz, dirige ao homem que está à sua direita: "Em verdade eu te digo: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso". Pensemos aos dois discípulos na estrada de Emaús, quando, depois de ter percorrido uma parte da estrada com Jesus ressucitado, o reconhecem e partem para Jerusalém para anunciar a Ressurreição do Senhor. À mente retornam com renovada clareza as palavras do Mestra: "Não se perturbe o vosso coração. Tenhais fé em Deus e tenhais fé também em mim. Na casa do Pai existem muitas moradas. Se não, jamais vos teria dito: "Vou a preparar-vos um lugar"?.

Deus se mostrou verdadeiramente, se tornou acessível, tanto amou o mundo ao ponto de dar seu filho único, a fim que aquele que crer nEle não se perca, mas tenha a vida eterna e, no supremo ato de amor da Cruz, imergindo-se no abismo da morte, a venceu, é ressucitado e abriu também a nós as portas da eternidade. Cristo nos sustenta através a noite da morte que Ele mesmo atravessou. É o Bom pastor, cuja direção se pode confiar sem nenhum medo, porque Ele conhece bem a estrada, também aquela que passa pela escuridão.

Cada domingo, recitando o Credo, nós reafirmamos esta verdade. E ao nos dirigirmos aos cemitérios para rezar com afeto e com amor pelos nossos defuntos, somos convidados, mais uma vez, a renovar com coragem e com força a nossa fé na vida eterna, e mais, viver com esta grande esperança e testemunhá-la ao mundo: atrás do presente não existe o nada. E exatamente a fé na vida eterna dá ao cristão a coragem de amar mais intensamente esta nossa terra e de trabalhar para construir um futuro, para dar-lhe uma verdadeira e segura esperança.
Obrigado!
 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

"Qualquer estado de vida oferece vias de santificação", diz Papa

Bento XVI fala sobre Solenidade de todos os santos e dia de
 finados durante o Angêlus
O Papa Bento XVI fez na manhã desta terça-feira, 1º, a oração mariana do Angelus por ocasião da Solenidade de todos os Santos. 

Durante o discurso que antecede a oração, o Santo Padre explicou tanto o significado da celebração de todos os santos, como a importância do dia de Finados que, nesta quarta-feira, 2, levará todos os fiéis a oferecerem intenções pelos mortos. Falando sobre a santidade, o Pontífice explicou que ela está ao alcance de todos.

"Todos os estados de vida, de fato, podem tornar-se, com a ação da graça e com o empenho e a perseverança de cada um, vias de santificação", afirmou.

Detendo-se sobre a vivência da santidade na comunidade eclesial, o Santo Padre explicou ainda sobre o caráter santificador da Igreja e o significado do Corpo de Cristo, que faz cada pessoa viver nesta 'comunhão dos santos'.
"Somos, portanto, convidados a olhar a Igreja no seu aspecto temporal e humano, marcado pela fragilidade, mas como Cristo a quis, isto é, na comunhão dos santos. No Credo professamos "santa", na medida em que é Corpo de Cristo, é instrumento de participação dos santos Mistérios, em primeiro lugar a Eucaristia e família dos Santos, a qual proteção somos confiados no dia do batismo", disse o Papa.

Dia de finados 
Sobre o dia de finados, o Papa falou sobre a esperança que este dia deve gerar no coração de todos aqueles que perderam seus entes queridos. Ele destacou ainda a necessidade de rezar pelo mortos a fim de que eles alcancem a plenitude da vida.

"A nossa oração pelos mortos é, portanto, não somente útil,mas necessária, enquanto que essa não somente os pode ajudar, mas torna durante o tempo, eficaz a intercessão deles em nosso favor", salientou.

Fonte: Canção Nova Noticias

Angelus de Bento XVI - 01/01/2011



Ângelus
Solenidade de todos os santos
Palácio Apostólico, Vaticano 
Terça-feira, 01 de novembro de 2011


A Solenidade de todos os santos é a ocasião propícia para tirar o olhar das realidades terrenas e levá-lo à dimensão da de Deus, da eternidade e da santidade. Cristo, de fato, que com o Pai e o Espirito Santo é somente Santo, amou a Igreja como sua esposa e deu a si mesmo por ela a fim de santificá-la. Por esta razão, todos os membros do Povo de Deus são chamados a tornarem-se santos, segundo a afirmação do apóstolo Paulo: "Esta de fato, é a vontade de Deus, a vossa santificação". Somos, portanto, convidados a olhar a Igreja não no seu aspecto temporal e humano, marcado pela fragilidade, mas como Cristo a quis , isto é, na comunhão dos santos. No Credo professamos "santa", na medida em que é Corpo de Cristo, é instrumento de participação dos santos Mistérios, em primeiro lugar a Eucaristia e família dos Santos, a qual proteção somos confiados no dia do batismo.

Hoje veneramos exatamente esta inumerável comunidade de Todos os Santos, os quais, através dos mais diferentes percursos de vida, nos indicam diversas estradas de santidade,reunidas em um único denominador: seguir Jesus e configurar-se a Ele, até o ultimo momento da nossa trajetória humana. Todos os estados de vida, de fato, podem tornar-se, com a ação da graça e com o empenho e a perseverança de cada um, vias de santificação.A comemoração dos fiéis defuntos, a qual é dedicado o dia de amanhã, 2 de novembro, nos ajuda a recordar os nossos entes que nos deixaram, e todas as almas que estão em direção à plenitude da vida, exatamente no horizonte da Igreja celeste, à qual a Solenidade de hoje nos elevou. 



Desde os primeiros tempos da fé cristã, a Igreja terrena reconhecendo a comunhão de todos o corpo místico de Jesus Cristo, cultivou com grande piedade e memória dos defuntos e ofereceu por eles alguns sufrágios. A nossa oração pelos mortos é portanto, não somente útil, mas necessária, enquanto que essa não somente os pode ajudar, mas torna durante o tempo eficaz a intercessão deles em nosso favor


Também a visita aos cemitérios, enquanto guarda as ligações de afeto com quem nos amou nesta vida, nos recorda que todos passaremos para uma outra vida, além da morte. O choro, que provém da separação terrena, por isso, não prevalece sobre a certeza da ressurreição, a esperança de chegar às bem aventuranças da eternidade, momento repleto de calma, na qual a totalidade nos abraça e nós  abraçamos a totalidade. O objeto da nossa esperança, de fato, é nos alegrarmos diante da presença de Deus na eternidade. Jesus prometeu aos seus discípulos: "Vos verei de novo e o vosso coração se alegrará e ninguem poderá tirar-vos a vossa alegria".

À Virgem Maria, Rainha de todos os santos, confiamos a nossa peregrinação rumo à pátria celeste, enquanto invocamos para irmãos e irmãs defuntos a sua materna intercessão.

 

Aproveite o tempo, ele é precioso


Não existe outro tempo, a não ser o dia de hoje! Viva bem esse momento, porque ele não vai voltar. Sempre gosto de repetir pra mim mesmo a frase: ” Cada dia basta seu cuidado”.

Precisamos viver bem todas as coisas que nos é proposto. Tudo nesta vida passa, e somente as coisas boas  ficam na lembrança. Não sentimos saudades daquilo que deixou marcas negativas em nossas vidas.


Se possível deixe nas pessoas que passar por você hoje, um rastro de Deus. Seu sorriso, um bom dia, um “muito obrigado” faz a diferença.


Deus lhe abençoe!

Papa pede orações para Igrejas Católicas Orientais e pela África



Neste mês de novembro o Papa Bento XVI reza e pede a todos os fiéis que rezem com ele pelas Igrejas Católicas Orientais, para que a sua venerável tradição seja conhecida e estimada enquanto riqueza espiritual para toda a Igreja. 

Já na intenção missionária deste mês, o Papa pede para que o continente africano encontre em Cristo a força de realizar o caminho de reconciliação e justiça indicado pelo segundo Sínodo dos Bispos da África. 

O Santo Padre visitará a República do Benin, na África, entre os dias 18 e 20 de novembro deste ano. A visita se realiza a convite do presidente do Benin, Boni Yayi, e da Conferência Episcopal beninense.

Fonte: Canção Nova Noticias